| Avanços
na pesquisa
Quais são os principais
esforços de pesquisa na esclerose lateral amiotrófica?
Os esforços de pesquisa sobre a esclerose lateral amiotrófica
aumentaram substancialmente nos últimos 5 anos. A causa
e o tratamento da esclerose lateral amiotrófica têm
sido as principais áreas de estudo de muitos grupos
na América do Norte, Europa e em todo o mundo.
Grande parte do impulso de pesquisa decorreu da descoberta
da mutação do gene SOD1 em uma pequena proporção
de pacientes com esclerose lateral amiotrófica familiar.
As evidências de neurotoxicidade do glutamato na esclerose
lateral amiotrófica foram a base do teste do riluzol,
a primeira droga aprovada para o tratamento da esclerose lateral
amiotrófica.
Por que a descoberta da mutação
de SOD1 é importante, se apenas 2% a 3% dos pacientes
com esclerose lateral amiotrófica apresentam essa mutação?
Embora as mutações de SOD1 tenham sido encontradas
em uma minoria de pacientes com esclerose lateral amiotrófica
(20% a 30% dos 10% de pacientes com esclerose lateral amiotrófica
familiar), a doença comporta-se essencialmente do mesmo
modo nos 97% a 98% dos pacientes sem a mutação.
Espera-se que a compreensão do mecanismo de degeneração
do neurônio motor nos pacientes com mutações
de SOD1 explique por que os neurônios degeneram em pacientes
sem a mutação.
O que os estudos sobre as mutações
de SOD1 revelaram sobre a causa e tratamento potencial da
esclerose lateral amiotrófica ?
Os experimentos com camundongos desenvolvidos por engenharia
genética, em que a mutação de SOD1 apresenta
hiperexpressão, sugerem que a proteína que sofreu
mutação seja tóxica para os neurônios
motores e cause sua morte. O bloqueio dessa neurotoxicidade
em pacientes pode prevenir a degeneração do
neurônio motor.
Os estudos terapêuticos com esses camundongos demonstraram
que a vitamina E pode retardar o início da doença
e o riluzol ou gabapentina pode prolongar a sobrevida. Isso
corrobora a eficácia do riluzol e fornece um modelo
para estudar outros tratamentos medicamentosos.
Qual das hipóteses da etiologia
da esclerose lateral amiotrófica (por exemplo, toxicidade
do glutamato, lesão oxidativa, deficiência do
fator neutrotrófico, lesão auto-imune, infecção
viral) é corroborada por evidências que mais
chamam a atenção?
Tanto os estudos experimentais em animais, como os estudos
em pacientes com esclerose lateral amiotrófica sugerem
que a excitotoxicidade por glutamato e a lesão oxidativa
desempenham papéis relevantes na causa da esclerose
lateral amiotrófica.
Esses dois mecanismos podem ocorrer juntos e interagir, causando
um ciclo vicioso de degeneração do neurônio
motor e morte.
Como a excitotoxicidade do glutamato
e a lesão oxidativa interagem e exercem seus efeitos
deletérios?
O excesso de glutamato fora do neurônio motor (por causa
da remoção deficiente) permite que um excesso
de cálcio penetre na célula, o que desencadeia
uma cascata dos processos prejudiciais, incluindo a lesão
oxidativa.
A lesão oxidativa lesa as membranas dos neurônios
e afeta as várias funções celulares,
incluindo a remoção do glutamato, e resulta
em mais excitotoxicidade.
Que papel desempenham os fatores
neurotróficos no tratamento da esclerose lateral amiotrófica?
Embora não seja provável que os fatores neurotróficos
sejam deficientes na esclerose lateral amiotrófica,
sua administração provavelmente melhora a viabilidade
neuronal e a capacidade regenerativa.
Vários fatores neurotróficos, incluindo o fator
neurotrófico ciliar (CNTF), o fator neurotrófico
derivado do cérebro (BDNF) e o fator de crescimento
semelhante à insulina (miotrofina), retardaram eficazmente
a degeneração dos neurônios motores em
modelos animais de esclerose lateral amiotrófica, como
camundongo cambaleante.
Os estudos clínicos baseados nesses estudos em animais
demonstraram um benefício do BDNF e miotrofina em pacientes
com esclerose lateral amiotrófica.
Qual é o futuro da pesquisa
da esclerose lateral amiotrófica?
Muito ainda precisa ser descoberto dos mecanismos da degeneração
do neurônio motor e modos de interrompê-la. O
uso de modelos animais e tecido humano continuará a
ser indispensável nessas pesquisas.
O desenvolvimento de drogas não-tóxicas para
bloquear a neurotoxicidade do glutamato e lesão oxidativa
interromperá potencialmente o processo da doença
em um estágio precoce.
O tratamento de combinação com fatores neurotróficos
múltiplos possivelmente será mais eficaz que
a monoterapia na prevenção da degeneração
do neurônio motor.
Última atualização: 18/04/2007
|