| Considerações
sobre nutrição
A identificação precoce de pacientes com esclerose
lateral amiotrófica que, dentro de pouco tempo, poderão
estar enfrentando problemas nutricionais graves é muito
importante. Essa identificação permite instituir
o suporte nutricional e o tratamento apropriado.
Esse estudo indica como os dados derivados da história
nutricional, medidas antropométricas e testes bioquímicos
podem ser usados para identificar, em um estágio inicial,
pacientes com esclerose lateral amiotrófica que poderão,
dentro de pouco tempo, estar enfrentando problemas nutricionais
graves. A identificação precoce desses pacientes
permite instituir o suporte nutricional e o tratamento apropriado.
Fundamentos: Etiologia e Patologia
Define-se esclerose lateral amiotrófica como uma doença
degenerativa, que causa uma lesão do neurônio
motor no córtex cerebral, tronco cerebral e medula
espinhal. A patologia da esclerose lateral amiotrófica
caracteriza-se pela degeneração seletiva das
células nervosas motoras do sistema nervoso central.
As células nervosas motoras no corno anterior da medula
espinhal e núcleos da ponte e bulbo e células
de Betz no córtex motor são todos afetados.
A atrofia acentuada dos músculos esqueléticos
é secundária à perda da inervação
motora.
A progressão da doença não depende exclusivamente
da duração da doença. Ela também
é atribuída à seletividade dos neurônios
motores afetados. A patologia da esclerose lateral amiotrófica
resulta em que o envolvimento neuronal pode progredir rapidamente
em alguns pacientes e mais lentamente em outros.
Inicialmente, os sintomas diferem de acordo com a sede do
impacto da doença. Freqüentemente, a doença
torna-se evidente nos pequenos músculos das mãos,
mas ela pode começar em uma ou ambas as pernas. Os
primeiros sintomas, alem de fraqueza muscular e atrofia (amiotrofia)
podem incluir desconforto muscular, "rigidez" e
cãimbras. As fasciculações ou contrações
breves dos feixes musculares podem ser observadas em vários
músculos. A disfunção bulbar é
definida como uma paralisia ou fraqueza dos músculos
que controlam a deglutição e a fala, assim como
o movimento da mandíbula, lábios e língua.
Essa disfunção resulta do envolvimento direto
dos núcleos motores bulbares (paralisia bulbar) ou
do envolvimento das células nervosas do córtex
motor que normalmente se projetam para os núcleos motores
bulbares (paralisia pseudobulbar). Embora, no final, haja
envolvimento dos músculos dos membros e músculos
bulbares na maioria dos pacientes, alguns pacientes apresentam
um comprometimento predominante de um ou de outro. A velocidade
de progressão difere consideravelmente de um paciente
para outro. A sobrevida média após o diagnóstico
é 4 anos, variando de indivíduo para indivíduo
(intervalo de 1 a 15 anos). Uma vez que um grupo muscular
particular tenha sido afetado pela doença, deve-se
esperar um aumento progressivo da disfunção.
Achados Físicos relacionados
com a nutrição
O achado físico mais marcante na ELA é a atrofia
muscular progressiva. A atrofia muscular de IBIS é
atribuída habitualmente aos efeitos da denervação
do músculo. Entretanto, como foi sugerido por esse
estudo, a desnutrição pode contribuir para a
atrofia muscular. O exame dos músculos da cintura escapular,
braços, antebraços, mãos, cintura pélvica,
coxas e panturrilhas muito freqüentemente revela atrofia,
fraqueza e fasciculação. Dependendo da seletividade
e magnitude da atrofia muscular, surgem vários problemas.
Os músculos afetados dos membros superiores e inferiores
também podem ser afetados, que o uso das mãos,
braços e pernas se torna prejudicado.
À medida que os vários nervos motores do tronco
cerebral degeneram, os músculos que controlam a língua,
a faringe e o palato, tornam-se comprometidos. Isso dificulta
o consumo adequado de alimentos para o paciente. Os nervos
cranianos - V, VII, IX, X e XII - são os principais
nervos envolvidos diretamente na mastigação
e deglutição. As lesões progressivas
desses diferentes nervos cranianos causam problemas que impedem
o indivíduo de se alimenar adequadamente.
Achados Bioquímicos
Várias alterações bioquímicas
na ELA causam preocupação, embora seu significado
não seja claro. A relação entre a ingestão
e o metabolismo de cálcio e a patogênese da ELA
continua a ser estudada. Foram descritos casos de ELA associados
com hiperparatireoidismo. Yoshimasu e col. relatam anormalidades
na concentração de cálcio e manganês
e/ou cálcio e alumínio no tecido da medula espinhal
de pacientes com ELA. Em relação ao metabolismo
dos carboidratos, vários estudos sugeriram que exista
uma incidência aumentada de tolerância anormal
à glicose e níveis de insulina em pacientes
com ELA. Esses achados podem estar relacionados com a resistência
à insulina que resulta da massa muscular deficiente.
Gustafson e Stortebecker investigaram os níveis séricos
dos lipídios e encontraram padrões anormais
das lipoproteínas na ELA. Seu trabalho sugere a presença
de uma hiperlipoproteinemia do tipo II (hipertrigliceridemia)
em casos com lesões neuronais mais avançadas.
Em relação ao metabolismo das proteínas,
Posner e col. observaram um nível sérico baixo
de arginina e uma redução na absorção
de arginina em pacientes com ELA. Patten e col. estudaram
os níveis de vários aminoácidos no soro
e líquor. Foram relatados níveis séricos
elevados de tirosina, lisina e leucina em casos de ELA. Entretanto,
a relevância desse achado não é clara.
As outras alterações bioquímicas encontradas
na ELA são as associadas com a maioria das doenças
que causam atrofia muscular. São encontrados um nível
sérico elevado de creatina e um nível sérico
de creatinina normal a baixo, o que reflete a decomposição
protéica.
Última atualização: 18/04/2007
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